Tuesday, October 08, 2002

Estou em casa, convalescendo de uma gripe fulminante. Quem mandou dar uma de aspirante-a-Thoreau e quebrar a lei seca com cerveja zero grau?

Bom, vamos ao achincalhamento do dia.

Se o fiel leitor do Correio Braziliense reparar, o jornal é um libelo comuna. Um Pravda de quinta, como disse um amigo. O Roriz isso, o Roriz aquilo. Os eleitores do Roriz são uns animais que estapeiam os eleitores bonzinhos e que querem a justiça social. Escândalos e mais escândalos, o que só reforça a idéia de que eles são uns ladrões. Antes ladrão que comuna, já disse um certo filósofo cuja existência é questionada por um economista que escreve redação de vestibular pro jornal. Antes ladrão que ter um Cristovam Buarque, o qual afirmou num jornal do canal 2 (ahá!) que instituiria a tarefa OBRIGATÓRIA de todos os universitários ensinarem um analfabeto a ler. Tadinhos dos analfabetos. Que mané ler o quê. Vão é ensinar "cidadania". Paulo Freire na cabeça. "Vamos fazer um teste com você, tá? Olha bem praquela luzinha ali. Se ela acender...."

Antes que me perguntem, eu não votei no Roriz. E nem votaria. Mas também não votei no tal do Magela (quem é Magela, afinal?).

Bom, mas voltando. A entrevista com a idiota da Katia Lund ainda está no ar, para quem quiser conferir. Uma mulher dessas tinha de ser presa. Bons tempos aqueles em que gente burra ia pra cadeia. Ela acredita que o cinema é "um veículo como qualquer outro. Poderia ser jornalismo, música ou literatura." Veículo pra quê? Pra propagar o antigo ódio entre classes, ora. Vamos enfiar a favela goela abaixo de quem vai ao cinema, vamos mostrar a realidade. Quem sabe assim eles não se tocam que são parte de um todo? Hã? Indivíduo? Que merda é essa? Isso aí de indivíduo não existe não, seu moço.

Veja bem, contribuinte (que nome bonito). Katia Lund e Fernando Meirelles gastaram a tua grana para dizer que você é culpado por querer comprar um tênis Nike. Por alimentar a sociedade de consumo. Por criar na cabecinha da criancinha favelada a imagem de que ela tem ser "inclusa na sociedade". Putz, foi mal, Katia Lund. Eu sempre achei que era o sonho de criancinha pobre poder comer o danoninho que ela vê na propaganda ou de ter um tênis Nike. Porque danoninho, Katia, é muito bom. O mesmo vale pra tênis Nike. E você, eleitor consciente, que assistiu Cidade de Deus, você também é culpado pelo fato de Katia Lund não saber o que é cinema, literatura ou música. Por que para a inteligentíssima senhorita Katia Lund, cinema, literatura e música são apenas veículos ideológicos.

O tráfico surge da desigualdade social, né, Katia? Determinismo social nojento o teu. Preconceituosa é você, incapaz de enxergar a realidade. Ah, esqueci. Para você "o primeiro passo para uma transformação é mudar a cabeça das pessoas, como elas vêem a realidade". Não se preocupe, Katia. Gramsci já fez isso por você. Você é - como é que se diz mesmo? - massa de manobra.

Thursday, September 19, 2002

Só mesmo a Valeria Blanc (uma "colunista" que pergunta a seus leitores se deve ou não tirar seus óculos-de-intelectual-que-freqüenta-o-Beirute) para não rir da declaração da mulher do Roriz de que Lula seria tão incompetente que perdera o dedo da mão. Hilário. Uma pérola. Digna de ir pro Página 18. Claro que a moça ficou indignada e achou de extremo mau gosto. Esses jornalistas azedos.

Este é um blog "dedicado" ao Correio Braziliense, que considero uma porcaria desde que me entendo por gente. Se eu tivesse tempo de sobra, passaria o dia lendo Chesterton e estudando grego - e leria o Correio por diversão. Porque essa é a idéia disto aqui. Em geral eu sou extremamente chata quando critico o que quer que seja. Meu ideal é ter um leve gostinho ácido e mordaz como o de alguns dos melhores artigos do Janer Cristaldo ou o Tudo acaba em pizza do Mário Guerreiro. Mas acho que só vou conseguir ser chatinha, como sempre. Não importa. Pra malhar o Correio vale qualquer coisa.

O ideal, como eu ia dizendo, seria ler aquele desperdício de papel todos os dias para sacanear direitinho. Eu raramente compro jornal, leio tudo online. Como nem tudo está disponível na versão online do Correio, volta e meia terei de recorrer às edições impressas que ficam espalhadas pelas mesas lá no meu trabalho. Acho que o ideal seria escrever uma vez por semana aqui. Uma surra por semana tá de bom tamanho.

Ah, sim: aceito colaborações.

Wednesday, September 11, 2002

teste